18 de abr. de 2010

Até tu, Academia?



Falhas de revisão podem ocorrer com qualquer um, até mesmo com a Academia Brasileira de Letras (aquela que elaborou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa). Confira: http://www2.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=8699&sid=628&tpl=printerview

Acontece, gente, acontece...

E para que não haja dúvida: a grafia correta do incômodo tracinho é hífen, com n.

Abraços!

Obs: visitei o site da ABL e vi que corrigiram a palavra hífen no título.

4 de abr. de 2010

De bem com a nova ortografia - hífen

Caros leitores, o hífen deverá ser utilizado em palavras formadas de prefixos acompanhados por palavras iniciadas com h.

Exemplos:

- Mini-hotel
- Anti-higiênico
- Anti-histórico

Mas, fiquem de olho em duas palavras:

SUBUMANO - a palavra "humano" perde o h e gruda no prefixo sub... Êta palavrinha mais sem personalidade!... (risos)

COERDEIRO - também nesse caso, o h desaparece e as outras letras se juntam (assim garante o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa).

Até a próxima!

27 de mar. de 2010

A palavra é: TREM



Trem, substantivo masculino, tem origem no inglês train e é um meio de transporte composto por vagões, conforme a acepção 1 do Aulete. No entanto, o termo adquire um sentido diferente no vocabulário popular dos estados de Minas Gerais, Goiás e Tocantins, onde corresponde a “coisa”, “treco”. Ainda com esse sentido, pode ser um adjetivo, conforme a acepção 12.

Definição do iDicionário Aulete: s.m.

1. Meio de transporte formado por vários vagões rebocados por uma locomotiva; COMBOIO
2. Conjunto de objetos transportados por um viajante; BAGAGEM
3. O conjunto de móveis de uma casa; MOBILIA; MOBILIÁRIO
4. Bras. O conjunto dos utensílios de cozinha
5. Grupo de pessoas que acompanha outra(s) em viagens; COMITIVA; SÉQUITO
6. Conjunto de roupas de alguém; TRAJE; VESTUÁRIO
7. Veículo de quatro rodas, puxado por cavalos, us. para transportar pessoas.; CARRUAGEM
8. Ritmo, velocidade, andamento: o trem de uma competição.
9. MG GO TO Pop. Qualquer objeto; COISA; TRECO
10. MG GO TO Pop. Indisposição física
11. MG S Pej. Pop. Pessoa ou coisa inútil
12. MG S Pej. Pop. Diz-se de pessoa ou coisa sem valor ou utilidade
[Pl.: trens.]
[F.: Do ing. train]

Fonte: www.aulete.com.br (Palavra do dia)

Caros leitores, desculpem pela ausência. É muito "trem" pra fazer e a gente acaba não dando conta...

Voltarei em breve com mais dicas sobre o hífen e a nova ortografia.

Abraços!

3 de mar. de 2010

"Ô de casa!"


Foto gentilmente cedida por Ana

Li, outro dia, um texto que me fez lembrar da minha cidade natal, Piumhi, no interior de Minas, e resolvi compartilhar essa reflexão com vocês... O texto é atribuído ao professor José Antônio Oliveira de Resende, da Universidade Federal de São João del Rei.
Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite. Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.

– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.

E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.

– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... Casa singela e acolhedora. A nossa também era assim. Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:

– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... Tudo sobre a mesa.

Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam... Era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida.

Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa... A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:

– Vamos marcar uma saída!.. – ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.

Casas trancadas... Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos, do leite...

Que saudade do compadre e da comadre!
Ao ler esse texto, viajei em pensamento para um lugar e um tempo nem tão distantes assim... Tempo em que as portas das casas ficavam destrancadas e as campainhas (quando existiam) eram ignoradas... Quem chegava dizia "Ô de casa!" e alguém lá dentro respondia "Ô de fora!", o que significava "pode entrar, seja bem-vindo!" Tempo em que as melhores brincadeiras eram a "queimada" no meio da rua e o "esconde-esconde" no quintal... Tempo em que minha mãe e meu pai reuniam as filhas no quarto maior da casa para rezar o terço, quando ameaçava cair uma chuva mais forte. E a gente mais cochilava do que rezava... Acreditem, caros leitores, agora deu saudade até do terço!...

27 de fev. de 2010

A palavra é: ARQUÉTIPO

O portal Terra publicou uma matéria no último dia 3 sobre uma pesquisa que aborda as classes sociais do país. No texto, lê-se o seguinte trecho: "quando se fala da periferia se cria um arquétipo. Mas na nossa segmentação construímos nove segmentos distintos de moradores com anseios e desejos característicos".

A palavra arquétipo é um substantivo masculino com origem no grego 'arkhétypos, os, on', que significa "que é o modelo”. O significado do termo conforme aparece no texto corresponde à primeira acepção do iDicionário Aulete: (ar.qué.ti.po) s.m.

1. Modelo, padrão de algo (objeto, produto, qualidade, comportamento, etc.); PADRÃO: Pelé é o arquétipo do jogador de futebol.

2. Fil. Na filosofia platônica, ideia originária que serve como modelo para a origem e princípio explicativo para os objetos sensíveis.

3. Psic. Na psicanálise junguiana, modelo de pensamento comum a toda a humanidade, composto de símbolos ou imagens que constituem uma espécie de inconsciente coletivo.

[F.: Do gr. arkhétypon (substv. do gr. arkhétypos, os, on, 'que é o modelo'), pelo lat. archetypum, i, e pelo fr. archétype.]
Fonte: www.aulete.com.br (Palavra do dia)

Até a próxima!

20 de fev. de 2010

De olho na ortografia...



Caros leitores, tirei essa foto quando voltava do feriado de Carnaval. O caminhão é dirigido por ele (o motorista), guiado por Deus, mas vai ser difícil descobrir por quem a palavra foi escrita assim, com j...

Até a próxima!

13 de fev. de 2010

Olha a redundância aí, gente!!!



Outro dia, viajando pelo interior de Minas, vi esse cartaz no estacionamento da rodoviária... Percebem que sobrou coisa aí?

Existem opções mais enxutas e objetivas, por exemplo, "Exclusivo para funcionários" ou "Só para funcionários".

Às vezes, a redundância passa mesmo despercebida...

Abraços!

6 de fev. de 2010

Nome inusitado...



Caros leitores, vejam só o nome dessa empresa desentupidora... Quem mora em Belo Horizonte, como eu, já deve ter visto esse veículo da foto rolando, ou melhor, rodando pelas ruas da cidade.

Segundo o site deles, a opção pela alcunha se deu em consequência do chamado de um cliente para desentupir um vaso sanitário. O filho desse cliente, na faixa dos 5 anos de idade, brincava com a descarga do vaso sanitário dizendo "rola, bosta!... rola, bosta!.." e achava aquilo muito engraçado. Daí teria surgido a inspiração para o nome "Desentupidora Rola Bosta".

É isso!